O que era o Agogê em Esparta?

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Em seu próprio significado, a palavra que os espartanos aplicavam para a educação já dizia tudo: Agogê, isto é, “adestramento”, “treinamento”. Viam-na como um recurso para a domesticação dos seus jovens. O objetivo maior dela era formar soldados educados no rigor para defender a coletividade. Assim sendo , temos que entendê-la como um serviço militar estendido à infância e à adolescência.

Quando completavam 7 anos, os meninos espartanos eram retirados da casa dos pais para iniciarem a “Agogê”, um regime de treinamento patrocinado pelo Estado concebido para moldá-los em guerreiros qualificados e cidadãos exemplares. Separados de suas famílias e alojados em barracas comuns, os jovens soldados em formação eram instruídos na arte da guerra, na caça, atletismo, dança e canto.

Aos 12 anos, esses meninos eram privados de todas as roupas, exceto por um manto vermelho e obrigados a dormir fora da escola, fazendo suas próprias camas com junco. Para prepará-los à vida no campo de batalha, os meninos soldados também eram incentivados a procurar e até mesmo a roubar sua comida, mas se detectados, eram punidos com chicotadas.

Grande parte da agogê envolvia assuntos típicos de escola como a leitura, a escrita, a retórica e a poesia, mas o regime de treinamento também tinha um lado vicioso. Para endurecer os jovens guerreiros e incentivar o seu desenvolvimento como soldados, os instrutores e os homens mais velhos muitas vezes instigavam brigas e discussões entre os formandos. O agogê, de certo modo, foi parcialmente projetado para ajudar a tornar os jovens resistentes à dificuldades como o frio, a fome e a dor. Os meninos que mostravam sinais de covardia ou fraqueza estavam sujeitos à provocações e a violência pelos pares e também pelos superiores.

Quando um espartano completava a fase principal da agogê, em torno dos 21 anos, ele ganhava o direito de participar na “syssitia”, um refeitório de estilo militar onde os cidadãos se reuniam para as refeições públicas. A fim de preparar os soldados para o esforço de guerra e desencorajar a obesidade, a quantidade de  alimentos distribuída nesses refeitórios comuns era sempre moderada, ligeiramente insuficiente. Os espartanos eram famosos por sua devoção à aptidão física e à dieta adequada; eles tinham uma aversão especial para com os cidadãos com excesso de peso, que eram ridicularizados publicamente e corriam o risco de ser banidos da cidade-estado.

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